"Olha! Aquele saco tá vazio, mas continua de pé!"
"Ah sim, é que não é um saco de batatas."
"Ah sim, é que não é um saco de batatas."
"Ah é, tá explicado."
Nascida em uma área de ocupação francesa em Xangai, na China, para depois passar a infância na Indonésia, a adolescência no colégio britânico em São Paulo e com passagens por Londres e Bogotá, na Colômbia, onde trabalhou em um restaurante russo, minha mãe é uma espécie de personificação humana da ONU.
Essa mistura de países, experiências e histórias rendeu à minha mãe uma
bagagem cultural muito interessante, mas mais do que isso, deu a ela o que eu
considero ser uma de suas facetas mais identificáveis: um acervo de ditos
populares (ou, para ser mais preciso, “ditos populares” entre aspas).
Como criança, nunca vi nada de errado nos ditados que minha mãe entoava
pela casa, e até replicava eles na escola, como pequenas pérolas de sabedoria
em meio a colegas boquiabertos. Foi só aos poucos que comecei a desconfiar que
talvez meus amigos não estivessem boquiabertos pelo poder e grandiloquência das
expressões que eu proferia, mas sim pela completa falta de entendimento do que
eu estava tentando dizer com aquilo.
