"Então, Sr. Brown... o Raio X indica que o senhor pode
ter sofrido uma pequena fratura no... ehm... corpo."
Sempre me gabei de nunca ter
quebrado nenhum osso no meu corpo ao longo de 40 anos de vida.
“Mas nem a perna ou o braço quando
você era moleque?” perguntam.
“Não, nem a perna ou o braço quando eu
era moleque. Nada.”
Aliás, essa coisa de não quebrar o
braço na época da escola é quase um arrependimento, porque sempre quis ter um
daqueles gessos todos assinados, como era de praxe na época.
Mas o fato é que, até os 40 anos,
não havia quebrado nem mesmo o estribo, o menor dos ossos no corpo humano.
Não sei se estou citando
corretamente ou se erro de década, mas acho que dizem por aí que a vida começa
aos 40. Aparentemente, no meu caso ela começou a se despedaçar, porque num
período de 2 meses eu quebrei o tálus, no tornozelo, e depois o úmero, aquele
osso que fica entre o cotovelo e o ombro.
O curioso é que apesar de
tecnicamente ter quebrado a perna e o braço, como era meu sonho de infância, em nenhum dos casos eu ganhei um gesso. Melhor seria ter quebrad
naquela época.
O caso do tornozelo aconteceu
durante uma quermesse do lado da minha casa.Tínhamos acabado de chegar na
quermesse e comprado 50 reais em fichas para gastar com comidinhas, bebidinhas
e brincadeiras. Só que a primeira coisa que fiz foi descer de um degrau de uns
50cm diretamente numa valeta. Um dos pés virou pra fora e, para evitar que algo
mais sério acontecesse, joguei todo o meu peso para cima do outro pé, que virou
pra dentro.
Resultado: uma torção dupla que se elevaria ao status de fratura após
uma ressonância magnética feita dias depois.
Tive que comprar uma bota ortopédica
com o divertido nome de ROBO FOOT para imobilizar o local durante quase 2
meses. Consegui trabalhar de casa, o que
evitou que eu tivesse que a recorrer ao INSS, e a única clínica de fisioterapia
do meu bairro fica a uma quadra de casa, então honestamente não tenho do que me
queixar dessa fase (fora o fato de ter um ROBO FOOT de 200 reais agora mofando
no meu armário).
Aí voltei ao trabalho, continuando
as sessões de fisioterapia numa clínica que ficava a uma quadra do escritório,
e tudo estava entrando nos eixos.
Durante uma semana e meia.
Atravessando uma rua na Vila
Olímpia, fui subir na calçada e até agora estou tentando entender o que
aconteceu. Não sei se perdi o equilíbrio, se tropecei, se o pé machucado ainda
estava bobo, nunca vou saber de fato o que houve. Mas em uma fração de segudo, lá estava eu em queda livre, com meu torso praticamente na
horizontal e o rosto diretamente paralelo ao chão.
Após uma rápida análise, decidi que
minha melhor opção seria tentar usar o mesmo princípio físico que projeta uma
bala para fora do cano de um revolver. Ao ser disparada, a bala não cai
imediatamente no chão, mas segue numa trajetória quase reta, às vezes por
centenas de metros, até finalmente começar a perder velocidade e,
consequentemente, altitude. E aí, aos poucos, a bala acaba "pousando" gentilmente chão.
Então minha teoria era muito
simples. Era só empurrar meu corpo para a frente, impulsionando-o com meu pé.
Ao perder velocidade, bastaria usar o outro pé para empurrar o corpo adiante de
novo, e ficar repetindo esses movimentos ad infinitum, correndo semideitado por
todo o bairro da Vila Olímpia. COM CERTEZA, isso me impediria de cair no chão.
Infelizmente, na hora que fui testar
a teoria na prática, percebi que eu peso consideravelmente mais do que uma bala
de 8g, e o máximo que consegui foi me impulsionar violentamente para frente. Então, para
evitar que meu rosto amortecesse a queda, estiquei meus braços para a frente e
a palma da minha mão direita se chocou contra o concreto com o braço completamente
estendido, bem na hora que 100kg de EU aceleravam rumo ao chão.
Vou dizer que ouvi um estalo na
hora, mas confesso que não sei se é verdade. Só sei que o tranco foi muito forte e imediatamente senti que algo havia saído do lugar na região do ombro. O que lembro
(juro que é verdade) foi de ter pensado “Não! De novo não!”
Deitado no chão, imediatamente fui
rodeado por 2 ou 3 pessoas querendo saber o que tinha acontecido. Expliquei que havia caído e que suspeitava
ter deslocado o ombro. Me ajudaram a sentar e um deles na hora chamou uma
ambulância pelo celular dele.
Minutos passaram e finalmente me
senti forte o suficiente para tentar andar, pelo menos até o ponto de taxi a
alguns metros daí, para poder sentar e esperar a ambulância com um pouco menos de desconforto.
Pensei brevemente em pegar um taxi
até o hospital mais próximo (o São Luiz), mas a ideia de ter que entrar e sair
de um veículo era completamente inviável. Então esperei. Liguei para minha
esposa com o que restava da bateria e pedi para que ela me encontrasse no
hospital.
O tempo passava e nada. Uma mulher
se sentou do meu lado esperando um taxi no ponto e, como meu celular estava com
praticamente zero de bateria, pedi que ela fizesse a gentileza de ligar para
saber se ambulância estava a caminho.
Descobrimos que a chamada anterior não havia sido processada, então eles
abriram uma nova ocorrência. E esperei mais.
Entre minha queda e o momento em que
a ambulância do SAMU encostou do meu lado, havia se passado uma hora e 20
minutos.
Quando cheguei ao hospital, minha esposa já estava lá. Todo
movimento que eu fazia era uma agonia indescritível e só o fato de chegar até o pronto socorro já foi um calvário. Quando o médico viu meu
ombro, me disse que com certeza estava deslocado, mas que antes de tentar
colocá-lo de volta NA MARRA, ele precisaria fazer alguns exames para constatar que
não havia uma fratura.
Me colocaram uma tipoia da marca
SALVAPÉ para imobilizar o braço e reduzir (um pouco) a dor e, enquanto eu
esperava pelo Raio-X, fiquei deliberando sobre o quanto isso era curioso.
Por que é que uma tipoia para o
BRAÇO chamaria SALVAPÉ?
A hipótese mais viável que consigo imaginar é a seguinte: certo dia, um ortopedista chega ao hospital e se dá conta que o gesso é complicado e trabalhoso demais. À noite, ao chegar em
casa, ele pede que a esposa faça uma bota nos mesmos moldes do
gesso, só que com tecido.
“Faz algo que possa ser facilmente
retirado, com uns velcro, tipo assim... sabe?” ele deve ter dito.
Arregaçando as mangas, a mulher trabalha a
noite toda desenvolvendo o protótipo. No dia seguinte, ao acordar e adentrar a sala, o médico
derruba seu Nescau em câmera lenta enquanto contempla a obra de sua amada e sonha
com os milhões de reais que ganharão a partir de então.
“Amor! Os pés de meus pacientes
estão salvos! Vamos chamar isso de SALVAPÉ! Vou lá pro hospital enquanto você
faz mais e vamos revolucionar a saúde no Brasil! A gente vai ganhar rios de dinheiro!”
Aí, nos dias e semanas seguintes, a mulher produz e o ortopedista vende informalmente no hospital para seus pacientes. Só
que um dia outro ortopedista vê aquilo e percebe que o casal não havia
patenteado a coisa. Imediatamente ele suborna um dos pacientes e o convence a
dar sua bota em troca de 50 reais e uma tradicional bota de gesso. Sorrateiramente,
o larápio leva a bota para seu advogado e eles patenteiam, só que com o nome de
ROBO FOOT (porque ele acha SALVAPÉ cafona demais).
Passam se algumas semanas e, um dia, nosso
ortopedista chega com sua caixa de SALVAPÉ no hospital só para ter todas as caixas
detidas pela Polícia Federal (que por algum motivo estava de tocaia no
hospital). Em choque, ele descobre que também está sendo processado por ter
“copiado” o ROBO FOOT, a nova sensação do mercado.
Por todo o lugar no hospital, há
cartazes com “O QUE SALVA PÉ MESMO É O ROBO FOOT”.
Enfurecido, ele sai rasgando os
cartazes até ser detido pelos seguranças do hospital e ser jogado para fora do
local. Ao se levantar, ele vê que os policiais estão derramando litros de
gasolina no seu estoque de SALVAPÉ num terreno baldio que, para efeitos de
narrativa, está exatamente do lado do hospital.
O pobre médico chora copiosamente ao
ver o sonho de sua vida virando carvão em meio às labaredas da tal justiça. Mas
aí, com os olhos ainda inchados pelas lágrimas, ele vê um paciente saindo do hospital com um ROBO FOOT no pé e um gesso tradicional no braço. E aí
ele percebe que o jogo ainda não está perdido.
Ele liga para a esposa e manda fazer
uma tipoia de tecido a toque de caixa e, ao dirigir para casa, já está em
contato com um advogado para patentear o produto. Lembrando dos cartazes que
viu pelo hospital, ele decide dar uma tapa de pelica no seu rival: “Patenteia
essa tipoia como SALVAPÉ.”
Infelizmente não sei o que acontece a partir daí, porque, no momento em que eu deliberava sobre este feudo ortopédico, me
chamaram para tirar a chapa (mas o Google tá aí pra quem quiser se aprofundar
na história).
Tirar a chapa foi uma grande agonia,
porque qualquer movimento que eu fazia com o braço causava uma explosão de dor
que quase me fazia desmaiar, e por algum motivo os profissionais de Raio X têm
uma necessidade doentia de pedir que você fique parado nas posições mais
desconfortáveis que eles conseguem imaginar, tipo "tenta juntar os dois cotovelos atrás da sua nuca" e afins.
Mas no final das contas a chapa foi tirada e qual não foi minha surpresa ao perceber que eu havia quebrado o segundo osso num período de 2 meses.
Mas no final das contas a chapa foi tirada e qual não foi minha surpresa ao perceber que eu havia quebrado o segundo osso num período de 2 meses.
Pela imagem, vocês percebem que a
fratura foi feia, e o resultado foi uma internação imediata para que a equipe
pudesse implantar cirurgicamente uma chapa de aço ou titânio (não sei qual, para
ser sincero).
Me internaram e marcaram a cirurgia
para o próximo dia. Acho que é importante dizer que, até o momento, o máximo
que eu tinha me aproximado de uma cirurgia tinha sido a remoção de um dente do
ciso. Então eu não sabia lá muito bem o que esperar dos procedimentos
pré-cirúrgicos.
Achei estranho, para início de
conversa, que a cirurgia tivesse que ser feita comigo em jejum de 12 horas.
Porque, afinal, a operação seria no braço, e não no baço (tudun-TSSSSS), então
porque é que meu sistema digestivo teria que estar vazio?
Felizmente, para estes momentos em
que minha ignorância me angustia, existe meu irmão, o Uncle Bugz, que sempre vem com uma
resposta que torna qualquer ignorância angustiante em um
fato ainda mais angustiante.
“O que ocorre é que, quando você passa por uma anestesia geral, perde completamente o controle de suas
necessidades fisiológicas. Ou seja, seu estômago, bexiga e intestino todos
funcionam simultaneamente. Então, para evitar que a sala de cirurgia se torne
uma fossa séptica, eles impedem que você coma durante 12 horas antes da
operação.”
Talvez por estar dopado com os litros de analgésicos e antibióticos que estavam sendo despejados na minha
corrente sanguínea, isso fez um certo sentido na hora. E também infelizmente fez com que
surgisse outra dúvida, que eu erroneamente decidi partilhar com o Uncle Bugz.
“Mas... eu.. . a última vez que
eu... ehm... fui no banheiro foi ontem pela manhã.”
“Ah, então antes da cirurgia, vão
ter que te fazer uma lavagem intestinal. CERTEZA. É ‘standard procedure’ em
casos de anestesia geral. Mas relaxa que não dói nada.”
Tudo isso com minha esposa fazendo um leve sim
com sua cabeça enquanto olhava para mim com um semblante grave.
O resultado é que passei o dia esperando pela
minha lavagem intestinal e, cada vez que a enfermeira entrava no quarto com uma
bandeja de aço, eu ficava procurando a mangueira de incêndio que invariavelmente
seria utilizada para virar meu intestino do avesso antes da cirurgia. Mas ela nunca veio.
E à noite apareceu o anestesista para me preparar para o grande momento.
Realmente espero que, ao ser levado
para o local na maca, já grogue com o pré-operatório, eu não tenha balbuciado
aos médicos algo tipo “é zagora que vocês vão fazer lavazem? Vai doer a lavazem?
Não guero fazer lavazem. Prometo não fazer cocô. Por favor não faz lavazem...”
ou algo por aí. Felizmente, acho que o fato de ninguém ter me olhado meio
esquisito depois da cirurgia indica que isso não ocorreu.
De qualquer forma, num momento eu
estava batendo papo com os médicos sobre futebol e no outro eu estava acordando
deitado num canto do centro cirúrgico com um aparelho bipando agressivamente no
meu ouvido.
Resmunguei algo para indicar que eu
havia acordado e a enfermeira veio rapidamente ver se eu estava bem. Respondi
que sim e comecei a me levantar, sendo imediatamente impedido pela enfermeira,
que me disse que eu precisava ficar aí um pouco mais até começar a respirar
corretamente.
“Respirar corretamente? Como assim?”
(BIP! BIP! BIP!)
“É que você passou por uma anestesia
geral. Agora seus pulmões estão reaprendendo a funcionar adequadamente e é
preciso ficar aí mais alguns minutos até ter certeza de que está tudo bem.”
“Hm. Entendi. E foi bem a operação?”
(BIP! BIP! BIP!)
“Foi sim! Tudo foi bem. O médico vai
falar com você quando você voltar pro quarto.”
“E o que é esse bip irritan-“(BIP!
BIP! BIP!)
“Ah, isso é um sensor que indica se
você está respirando corretamente. É só você respirar pausadamente e com calma
que ele não apita mais, e aí você vai pro quarto!”
(BIP! BIP! BIP!)
Nisso, ela foi cuidar de alguma
outra coisa e me deixou por lá para descansar e aprender a respirar de novo.
Eu comecei
respirando do jeito que eu considerava normal. Tudo ia bem até o aparelho URRAR
no meu ouvido a sucessão de bips me informando que não, que eu estava fazendo
tudo ERRADO.
Então eu comecei a respirar de maneira
mais lenta, tentando absorver mais oxigênio, porque isso talvez ajudasse meus
pulmões a se expandirem, adiantando minha ida ao quar-(BIP! BIP! BIP!)
Então talvez a saída fosse respirar
mais rápido, e não mais devagar. Talvez inspirar e expirar rapidamente pudesse
ajudar a elasticidade dos órgãos aos poucos, e isso talvez fizesse com que
minha respiração entrasse em um ritmo mais nor-(BIP! BIP! BIP!)
E por aí foi o que para mim
pareceram umas 3 horas e que, na realidade, devem ter sido uns 30 minutos. Todas
as tentativas de respiração diferente que eu tentava resultavam nos malditos
bips ecoando nos meus ouvidos, me levando a um grau cada vez maior de
desespero. Eu estava cada vez mais certo de que meus pulmões haviam sido comprometidos por
causa da cirurgia, muito provavelmente por causa dos médicos terem se esquecido
de me fazer a lavagem intestinal.
E aí, de repente, a enfermeira
voltou e, sem ao menos olhar pros aparelhos que estavam atrás de mim, me disse alegremente
que era hora de voltar para o quarto.
Só que à medida que minha maca era empurrada pela
porta em direção ao corredor, eu ouvi, lá de dentro da sala um (BIP! BIP! BIP!),
o que em linhas gerais significa que aqueles bips não tinham NADA A VER COMIGO.
Dormi bem naquela noite
(provavelmente por causa do Tramal na veia), tive alta na tarde do dia
seguinte, e cada dia depois desse tem sido um pouco melhor do que o anterior.
Confesso que achei que o processo de recuperação mais longo do que eu
imaginava, mas o médico sempre me lembra de que a pancada foi forte e o osso
ficou bem danificado, então o importante é ter paciência.
E, pensando bem, não tenho muito do que reclamar. Hoje eu tenho uma placa de aço de 20cm no braço, com mais parafusos que o Homem de Ferro tem na armadura toda (como você podem ver no Raio X abaixo). E antes de entrar no hospital eu não tinha nada disso. Ou seja, quem saiu ganhando fui eu.
E, pensando bem, não tenho muito do que reclamar. Hoje eu tenho uma placa de aço de 20cm no braço, com mais parafusos que o Homem de Ferro tem na armadura toda (como você podem ver no Raio X abaixo). E antes de entrar no hospital eu não tinha nada disso. Ou seja, quem saiu ganhando fui eu.
Aliás, eu disse que não tinha reclamações, mas tenho uma sim - que já fiz in loco - com os médicos que me operaram:
ninguém me alertou (nem mesmo o Uncle Bugz que aparente é especialista no assunto) que uma das consequências
naturais de uma cirurgia é a prisão de ventre. Curiosamente, só fui me
dar conta disso 3 dias depois da alta, quando acordei e falei para mim mesmo:
"Peraí... eu não tenho ido ao banheiro!"
Imediatamente, pedi para que comprassem um laxante fitoterápico, pois achei que seria a forma menos "agressiva" de resolver o problema. E aí eu descobri que não existe "forma menos agressiva" de resolver uma prisão de ventre que já dura 5 dias (dois no hospital e três em casa).
Vou poupar vocês dos detalhes por uma questão óbvia e para tentar manter um mínimo de dignidade. Mas imagino que o que passei deve ter sido muito parecido com a sensação de dar a luz a um bebê, com duas diferenças fundamentais: a primeira é que no meu caso o bebê era o Jô Soares e a segunda é que normalmente o trabalho de parto não termina com você dando descarga no seu filho.
Enfim, uma hora a tortura toda acabou. Então me encolhi em posição fetal no canto do chuveiro e fiquei algumas horas chorando sob a água fria, me esfregando metodicamente com uma bucha e me sentindo "usado". Levou mais algumas semanas até que eu pudesse encarar minha família de novo.
Imediatamente, pedi para que comprassem um laxante fitoterápico, pois achei que seria a forma menos "agressiva" de resolver o problema. E aí eu descobri que não existe "forma menos agressiva" de resolver uma prisão de ventre que já dura 5 dias (dois no hospital e três em casa).
Vou poupar vocês dos detalhes por uma questão óbvia e para tentar manter um mínimo de dignidade. Mas imagino que o que passei deve ter sido muito parecido com a sensação de dar a luz a um bebê, com duas diferenças fundamentais: a primeira é que no meu caso o bebê era o Jô Soares e a segunda é que normalmente o trabalho de parto não termina com você dando descarga no seu filho.
Enfim, uma hora a tortura toda acabou. Então me encolhi em posição fetal no canto do chuveiro e fiquei algumas horas chorando sob a água fria, me esfregando metodicamente com uma bucha e me sentindo "usado". Levou mais algumas semanas até que eu pudesse encarar minha família de novo.



Vladz, normalmente, vendo o tamanho do texto eu não chegaria ao final do 2o parágrafo. Mas, como é seu, li de cabo a rabo!!!
ResponderExcluirAdorei e dei umas boas gargalhadas com a sua forma de escrever, congrats for your humour and inspiration!!!
Beijos Debbie
Lágrimas nos meus olhos... passei mal de tanto rir.
ResponderExcluirPure genious...
ResponderExcluir"Então minha teoria era muito simples. Era só empurrar meu corpo para a frente, impulsionando-o com meu pé. Ao perder velocidade, bastaria usar o outro pé para empurrar o corpo adiante de novo, e ficar repetindo esses movimentos ad infinitum, correndo semideitado por todo o bairro da Vila Olímpia. COM CERTEZA, isso me impediria de cair no chão."